No PA, professora de creche passava pano com fezes em rosto de criança, diz pai

Servidora pública foi afastada da função, segundo o governo. Ela nega as acusações e preferiu não se manifestar no momento.

Professora Vera Lúcia é denunciada com suspeita de maltratar alunos

Professora Vera Lúcia é denunciada com suspeita de maltratar alunos

Após uma professora ser denunciada por maus tratos a crianças atendidas no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) do bairro Matinha em Santarém, oeste do Pará, pais de alunos também denunciaram comportamentos da educadora na creche. Em entrevista à TV Tapajós, o pintor Rogiflon Barbosa disse que o filho relatou que em uma das aulas, a professora passou um pano sujo com fezes no rosto da criança.

“Ele nem queria mais vir estudar, ele disse que a professora esfregou uma toalha suja de fezes no rosto dele. Eu vim conversar com ela e ela disse que era mentira. Semana passada ela deu um beliscão nele. Quando ele chega em casa, ele conta tudo que acontece”, contou Rogiflon.

Os relatos não param por aí. Outros pais disseram que os filhos falaram sobre outras agressões como puxões pelos braços e beliscões. Estagiários da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) também testemunharam o comportamento da professora.

O comportamento da professora denunciada gerou preocupação à coordenação de estágio da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Um grupo de estagiários que estavam em diversas turmas do Cemei contaram que presenciaram os maus tratos praticados pela funcionária.

“Puxões pelos braços, humilhações, exposição de situações particulares das crianças em público. Situações desse tipo que nem são consideradas maus tratos por quem não conhece, mas que de fato a gente considera sim que é um desrespeito com as crianças”, contou a coordenadora de estágio, Sinara Almeida.

De acordo com as denúncias, as crianças eram privadas de ir ao banheiro e tomar água. Agressões físicas e verbais também estão entre as queixas. Ainda de acordo com as denúncias, as crianças eram obrigadas a dormir, mesmo quando não estavam com sono. Elas eram colocadas de bruços e não podiam mover os braços e nem a cabeça.

As denúncias foram registradas na Secretaria Municipal de Educação (Semed) por uma mãe e por representantes da Ufopa.

Por telefone, a professora denunciada informou que prefere não se posicionar sobre o assunto. A educadora foi transferida na sexta-feira (25) para uma instituição no bairro Santarenzinho, mas nesta segunda-feira (28) a funcionária foi afastada até que as denúncias sejam apuradas.

Comportamento recorrente

A coordenação do Cemei Matinha informou que já havia presenciado a agressividade da professora e que ela já tinha sido chamada para melhorar o tratamento com as crianças, o que não teria acontecido. “Essa professora foi orientada a mudar o comportamento, sua maneira de agir com as crianças”, contou a pedagoga Francisca Saldanha.

De acordo com a Coordenadora do Cemei da Matinha, Francisca Saldanha, ao tomar conhecimento das denúncias, a professora denunciada foi chamada e durante a conversa com a coordenação da unidade, também demonstrou agressividade ao falar sobre o assunto. “Para minha surpresa, ela se descontrolou. Só ouviu o primeiro relato, e quando fui ler o segundo, ela faltou com o respeito, se descontrolou mesmo”, disse a coordenadora.

A coordenadora da Educação Infantil de Santarém, Flora Aparecida, por outro lado disse que tem conhecimento das denúncias, mas que não tem provas e nem presenciou tais comportamentos. “Não estou defendendo ninguém, mas tem uns pais que denunciam e tem outros que estão pedindo que a gente vá lá, defendê-la. Afastamos a professora da sala de aula”, contou Flora.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que está ciente dos problemas ocorridos no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) do bairro da Matinha e está tomando as providências administrativas necessárias no sentido de garantir o pleno atendimento do seu público-alvo, que são crianças de 2 a 4 anos de idade.

Fonte : Dominique Cavaleiro, G1 Santarém

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